
O mercado de blindagens foi inundado por empresas de fundo de quintal nas últimas duas décadas. Nos anos 90, havia até as que se declaravam – mentirosamente – a ”blindadora oficial” na Alemanha de marcas como BMW, Mercedes e Audi. Foi para colocar ordem na bagunça, e para separar as blindadoras sérias das aventureiras, que a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) firmou uma parceria com o Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) e lançou um selo de capacitação técnica específico.
A partir de agora o Cesvi começa a inspecionar as empresas do setor, concedendo a elas de uma a cinco estrelas. ”Se ao fim do processo a blindadora consegue pelo menos três estrelas, ela é certificada”, diz Andre Turina, coordenador de certificação do Cesvi. As primeiras a receberem o selo são a Concept e a Centigon O’Gara, mas várias outras estão em processo de certificação. ”É uma espécie de ISO-9002 das blindadoras”, diz Rogério Garrubbo, sócio da Concept. Para chegar às cinco estrelas, são avaliados 115 quesitos, que vão desde o nível de atendimento no show room até a infraestrutura de armazenamento na oficina.
Mas como saber se a empresa que blinda os carros de sua empresa ou de sua família é confiável e faz um bom serviço? Para responder a essa pergunta, veja a seguir dicas práticas do Cesvi para reconhecer uma boa empresa do ramo.
Por onde devo começar?
O primeiro contato geralmente é por recomendação de amigos ou propagandas, para depois se conhecer o show room. Mas não é aconselhável parar por aí. Pode parecer piada, mas a primeira providência é se certificar de que a blindadora existe legalmente. Várias delas terceirizam quase toda a operação, o que pode ser um problema. Não dispense uma visita à oficina. Isso leva tempo? Vale lembrar que esse é um investimento considerável, não só em dinheiro, mas em sua própria vida. Portanto, vale a pena perder três horas de um dia para conhecer o local onde o carro será blindado. Se o vendedor quer evitar que você visite a oficina, é bom procurar outra empresa.
Que documentos eu devo exigir?
Peça para ver o Certificado de Registro (CR) no Exército. Sem esse documento, a empresa não pode atuar no segmento. Pergunte também pelo Relatório Técnico Experimental (Retex), comprovando que os materiais usados foram testados pelo Exército.
O que analisar na oficina?
Como o veículo é todo desmontado, certifique-se de que não há peças espalhadas pelo chão. Converse com o engenheiro responsável, que deve tirar suas dúvidas sem titubear. Verifique onde ficam as mantas de aramida (também chamada de kevlar, material de coletes à prova de bala), que devem estar longe de umidade. Se disser que não trabalham com estoque, desconfie, pois existem meios caseiros de laminar as mantas. Veja ainda se há a marca do fabricante.
O aspecto dos funcionários conta?
Sim. O modo de vestir diz muito sobre a organização da oficina. Funcionários de bermuda, chinelo ou calça jeans demonstram desleixo geral, além de não permitir saber quem é quem – dessa forma não se identifica o pintor, o montador ou o funileiro. É imprescindível que todos estejam uniformizados.
O que verificar no ambiente de trabalho?
Pelos critérios utilizados pelo Cesvi, não é algo que reprove de imediato uma blindadora, mas se o local for ventilado, tiver boa iluminação natural e pelo menos 3,5 metros de pé-direito, vai contar muitos pontos a favor. Não se esqueça de observar certificados, alvarás e outros documentos que possam estar afixados nas paredes, bem como extintores de incêndio e indicação de saída de emergência.
Como as peças devem ser acondicionadas?
Todos os componentes de um veículo desmontado precisam ser guardados com identificação e sem contato entre si. Pode até ser em uma caixa de papelão, mas, dentro dessa caixa, uma peça não pode ter contato com a outra. Ideal mesmo é que haja uma etiqueta com o nome do modelo em que será montada e sua placa.
Fonte Quatro Rodas
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